Casamento na Praia Iguaba Grande, RJ

Erica & Eduardo - Parte 2

Há três semanas atrás eu postei publiquei aqui a primeira parte do casamento entre entre Erika e Eduardo, lá em Angra dos Reis, e prometi publicar a segunda parte do segundo dia do casamento deles e agora na casa de avó da noiva em Iguaba Grande, região dos lagos no estado do Rio, cerca de 400km distante um do outro.


Aliás aconselho verem as fotos do primeiro e lindo dia do casamento deles, é só buscar aqui no site, para verem a prévia de tão lindo dia.


Neste segundo foi emoção dobrada, alegria dobrada, tudo de bom!


As fotos não ficaram do mesmo jeito do primeiro dia, provando que cada dia é um dia, mesmo o casal sendo o mesmo, e em tão poucos dias, pois a cada dia vivemos uma realidade e emoção. Por isso a vida é tão mágica, tão maravilhosa.


Espero humildemente ter correspondido e captado como foi este dia tão especial ao casal, embora sabendo de minhas limitações como fotógrafo e como ser humano, há coisas que não conseguimos captar em um casamento, pois o que sentimos lá dentro do peito é muito maior do que uma foto, porém ela pode ajudar.


Aliás agradeço muitooooo o carinho do casal para comigo, a quem nos deram uma bela mensagem no dia do casamento onde valorizavam tanto nosso trabalho e nossa presença no casamento deles. Ei amigos! Posso chama-los assim? Mas, me senti assim sempre com vcs, mas deixa eu lhes dizer, amo vocês viu e desejo muito sucesso a vocês dois e toda família bem como todos os presentes neste dia que foi especial.


OBRIGADOOOOOOOOO!!!!


VANDER ZULU

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Em anexo  está o discurso feito com tanto carinho pela grande amiga da noiva, que realizou a cerimonia, Talita Tanscheit. Foi lindo demais ouvir toda história do casal, que aliás hoje em dia tem se tornado uma opção e tanto, chamar um amigo, um familiar ou alguém que vc tem aproximação para celebrar seu casamento, já que em muitos casos, os líderes religiosos tem proibido celebrações fora de suas respectivas igrejas, o que eu acho totalmente sem pé e cabeça. Pois, a Igreja que Jesus nos ensinou somos nós, ela não é fixa, ela é móvel, ela está em todo lugar. Mas, deixa este papo para locais destinados a isso.

Se quiserem leem o texto original da cerimônia, é lindo...




A história de um casal não é apenas a história de duas pessoas. Tampouco é apenas uma história de amor e companheirismo, seja sob as desventuras seja sob as aventuras que a vida sempre acaba nos reservando. A história de um casal, e especialmente deste casal que está a minha frente agora, é além de tudo isto, a história de duas famílias. De um neto e de uma neta, de um filho e de uma filha, de um irmão e de uma irmã. É também a história de um amigo e uma amiga, que são a família que escolhemos para viver. É a história de duas pessoas que decidiram, em um determinado momento, transformar os seus lares em um só, e construir uma jornada comum nesta passagem pela Terra.


A história que estamos celebrando esta tarde é a história do Eduardo, que vamos chamar de Dudu, e da Érica. De casa cheia, Dudu é o segundo mais velho de uma família de seis irmãos. Além dele, tem a Amanda, a Lívia, a Maria Sol, que em poucos meses dará a luz à uma criança a qual o Dudu terá a honra de ser padrinho, o Ruan e o Victor. Filho de João Carlos, a vida reservou a Dudu o privilégio de ter duas mães. Emília, que é uma das tantas estrelas que acompanham esta cerimônia do alto do céu, e permitem que tenhamos uma noite de muita luz, e Simone, que acompanha o Dudu desde os seus 8 anos de idade.


Fato é que esta família da Ilha do Governador, que mais parece a Família Buscapé, encontrou em Niterói uma família menor, mas igualmente unida. A Érica tem apenas um irmão, o Mateus, o Mateuzinho. Para quem frequentou a casa da Belisário Augusto, em Icaraí, fica difícil de decidir quem foi o mais mimado, Érica ou ele. Quem não se lembra da comidinha pronta, do franguinho cortadinho do Mateuzinho? De um companheirismo raro, Érica e Mateuzinho são inseparáveis. Os amigos dela são amigos dele e vice-versa. É uma amizade bonita de se ver! Filhos de Margarida e de Paulo Afonso, que deixou a sua cidade, Palma “NÃO É PALMAS NO TOCANTINS, TALITA, É PAL-MA, EM MINAS GERAIS, ELE REPETIA QUANDO ÉRAMOS CRIANÇAS” para construir uma família no Rio de Janeiro. Tudo isto com a benção e o olhar cuidadoso da Vovó Carolina, que acho que eu nem preciso dizer, mas que é a grande paixão da vida da Érica. Esta paixão enorme está presente em cada detalhe deste casamento. Não à toa há duas semanas, na cerimônia religiosa, Érica se casou com a mesma blusa que ela se casou em seu casamento.



Estas duas famílias celebram hoje a união de gerações. Logo mais, veremos entrar com as alianças o retrato destas gerações: a Vovó, de 95 anos, e o Victor, de 18 anos recém-completos. Como diriam nas terras de Paulo Afonso: ê trem bão, sô!


Não sabemos se por acaso ou por destino (isto é cada uma e cada uma que decide com base em sua própria crença), mas esta história começou, ao menos até onde é de nosso conhecimento, no dia 03 de março de 2013, que não por acaso é a data gravada na aliança que eles irão utilizar. As águas de março fechavam o verão, mas eles pareciam ainda não notar, e este encontro aconteceu em um festa de música brasileira no Gafieira Elite. Érica foi com a Natalinha, madrinha e companheira de Mateuzinho, e Dudu com amigos que no meio da noite o abandonaram e o fizeram ter que ficar a noite inteira ao lado da Érica. Porque ele nem queria né?


Os dois se recordam desta noite da mesma forma, dizendo que souberam desde o primeiro momento que não se desgrudariam mais. Ao som de Novos Baianos, dançaram ate o sol raiar, acontecimento que se repetiria por muitas noites desde então. Nesta noite, até furtado o Dudu foi quando eles conversavam prestes a amanhecer. Este acontecimento foi especialmente importante na vida do casal. Érica se encantou com a forma correta do Dudu se comportar, já que ele foi a delegacia relatar um furto, mesmo sabendo que se relatasse que havia sido um roubo poderia ter retirado os seus documentos gratuitamente. Dudu, por sua vez, começou a nutrir uma grande admiração pelo companheirismo da Érica, que além de ter ficado com ele na delegacia o levou até uma lanchonete e pagou para ele um suco de laranja e uma canoa. Que na língua da Érica, como Dudu descobriu esta noite, seria pão com manteiga. Após horas tentando se despedir no metrô, Dudu retornou para casa com o telefone dela, e sem celular por conta do furto, MEMORIZOU o número e ligou para Érica assim que chegou em casa, para saber se ela estava bem. A essa altura, ambos já pareciam estar apaixonados.


O segundo encontro foi no Leblon, um bairro ao lado de Itacoatiara e da Ilha do Governador, onde cada um deles viviam. Para a Érica, e aparentemente para o Dudu, isso é normal né?  Quem nunca conversou com a Érica durante as suas jornadas de ônibus que conectam Itacoatiara não ao centro do Rio, mas à Barra da Tijuca? Isso também contou para ela se apaixonar pelo Dudu: a distância a seduziu. Neste segundo encontro, um achava que o outras que o outro queria ir embora. Antes, Érica havia convidado o Dudu para ir à uma cachoeira com outras trinta pessoas, convite que o Dudu preferiu passar adiante. Alguém toparia ir pra um programa desses no primeiro encontro oficial? O que salvou este encontro, e que nos faz estar aqui hoje, foi uma chuvarada que os levaram à uma lanchonete tomar um suco de laranja e comer uma famosa canoa. Embaixo da de uma marquise, eles acertaram os ponteiros e tudo voltou a fluir exatamente como deveria ser.


Quase cinco anos se passaram desde essa época, e hoje temos diante de nós um casal maduro e prestes a completar 30 anos de idade cada um. Para celebrar esta união, eles gentilmente nos convidaram à duas cidades que são uma marca na vida deles e de suas famílias. A primeira foi em Angra, no dia 13 de janeiro, cidade que o Dudu frequenta desde os 14 anos. Angra, para o Dudu, é um refúgio. Criado na Ilha do Governador, as suas sextas-feiras eram uma ansiedade só, ele passava o dia esperando o sinal da escola tocar e ele poder ir para Angra, encontrar seus amigos, surfar, jogar bola e um monte de outras coisas. Em Angra Dudu aprendeu a ser feliz e a ter este espírito de natureza tão vivo dentro de si. Quem pôde ir a Angra presenciou uma cerimônia singular, realizada numa Igreja no meio de uma ilha, com direito ao casal retornar à terra firme de stand up paddle. Foi o início de um pequeno ciclo de celebrações que está apenas por começar.


Entre 1965 e 1968, a memória familiar vacila um pouco em relação às datas, Vovó Carolina foi na mercearia comprar um saco de batatas e voltou com um terreno. Quem a conhece sabe que ela quase não gosta de ter terras né? Este terreno é o que nós estamos pisando hoje, aqui em Iguaba. Se me permitem um parênteses, devo dizer que esta história também é um pouco a da minha família. Minha mãe, amiga de tempos de escola de Margarida e de Regina, Tia de Érica, costumava frequentar esta casa nos fins-de-semana, e sempre me conta com muita alegria das aventuras no caminho, em que diversos adolescentes iam à Iguaba em uma Kombi, e das alegrias passadas na casa e em sua lagoa. Para Érica, Iguaba é local que une ela a sua avó. Tudo em Iguaba a faz lembrar a vovó Carolina. A infância passada nesta casa e as suas primeiras experiências culinárias: em Iguaba ela aprendeu a fazer bacalhau e arroz. Além de claro, muitas brincadeiras com as outras crianças do bairro, de polícia e ladrão, de queimado e bandeirinha. Foi em Iguaba que a Érica construiu este sentimento tão vibrante que carrega: a vida é um jogo, é uma brincadeira, e viver é ser livre.


Este casal, apaixonado por história e por viagens, foi aos poucos se encontrando profissionalmente. Dudu está prestes a se formar em história, paixão que ele descobriu aos poucos e que hoje em dia dá sentido a sua vida: ele se vê professor, se vê lecionando, e não vê a hora de poder exercer a profissão. Érica sempre o incentivou a correr atrás desse sonho, que tardou um pouco a começar, e assistiu o primeiro dia de aula dele. Que sem vergonha, não é? Atualmente, Dudu estagia na antiga escola da Érica, o Centro Educacional de Niterói, onde nós nos conhecemos e que nos trouxe até aqui, formando o nosso caráter e moldando as nossas experiências. Ele não vê a hora de andar pelos corredores e contar aos antigos professores, que tanto lembram dela: eu me casei com a Érica.

Antes de encontrar o turismo, Érica fez uma porção de coisas, isso inclui até um período como operadora de mergulhos e ativista em defesa destes animais dóceis que são os tubarões. Mas foi durante uma estadia de um ano na Austrália que ela se despertou para algo que estava adormecido dentro dela, mas que ela havia aprendido com a mãe: a vontade de mostrar o Brasil e o mundo para as pessoas. Dentro de pouco tempo um historiador e uma turismóloga irão realizar uma instigante viagem pela América Latina. Conhecendo cada canto de nossa Pátria Grande, passando por cada povoado, unindo a história à cultura e entendendo os caminhos pregressos e as marcas que nossos ancestrais aqui deixaram. A Lua de Mel, especial como estas cerimônias, unirá a profissão e a eterna busca pelo conhecimento, dando uma lição a todos nós. Nossas vidas são, ou ao menos deveriam ser, muito maiores que os nossos currículos.

Érica e Dudu iniciam agora uma nova fase do relacionamento deles. Que já passou pela Argentina, por uma ida a Picinguaba, praia que frequentávamos em nossa adolescência, e até por uma crise de pedra no rim do Dudu, que Érica acompanhou não arredando o pé um minuto do hospital. São muitos os fragmentos de uma história que vai pouco a pouco crescendo. Mesmo que eles não saibam aonde chegarão juntos, a forma de viver deste casal já deixa bem claro: o destino é muito mais importante que a chegada.


Daquela noite de Novos Baianos para cá, da primeira música que eles dançaram, do primeiro suco de laranja na lanchonete, um monte de coisa aconteceu. A história destas duas famílias aos poucos vai tornando-se apenas uma, e até fisicamente eles estão ficando parecidos! Bom para eles e para nós, que poderemos ter a certeza de muitas festas embaladas pela incrível aparelhagem de som de Paulo Afonso, não é mesmo? Nestas ocasiões, esperamos poder ver o Dudu cantando a música do Semisonic que tanto o faz lembrar da Érica, e que se ninguém sabia, este fato a partir de agora ele se torna público. Érica, ninguém sabe disso, mas você tem um sorriso secreto, e você o usa apenas para mim.

Dudu e Érica, eu sabia que não seria fácil celebrar esta união, mas não imaginava que seria tão difícil. Frente a ausência de palavras, e preocupada de estar entediando à você e aos convidados, peço que vocês olhem por alguns segundos a volta de vocês e um para o outro. Esta é a melhor maneira de vocês perceberem que este caminho não será trilhado apenas por vocês, mas por todos nós que estamos aqui hoje e que acompanharemos e torceremos sempre pela felicidade de vocês. Que estes olhares emocionados de hoje sejam uma constante em suas lembranças. São olhares de uma vibração muito forte de amor e de desejos que vocês tenham muita saúde para poder viver este amor em plenitude, como vocês merecem.

O escritor e filósofo russo Dostoievski dizia que “Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas, Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram”.

Que a vida de vocês nunca seja trocada por gaiolas e que as certezas nunca sejam constantes, para que vocês possam juntos construir um o caminho do outro e também o caminho conjunto. Que vocês deem voos a cada dia mais altos, e que quando a certeza bater a porta vocês tenham a sabedoria de abrir uma janela e receber a liberdade. E que esta liberdade e esta alegria de viver seja sempre a essência e a substância da união e do amor de vocês.

Depois dos votos, que eu espero que vocês tenham feito, acho que você já pode beijar a noiva, Dudu. Cá do meu canto, e de todo o meu coração, eu os declaro marido e mulher, os declaro companheiros. Há uma vida a ser compartilhada pela frente. Aproveitem!